domingo, 1 de maio de 2011

A aposentadoria de Ronaldo e a nova face do futebol mundial.

*uma versão reduzida deste artigo foi publicada no OutrasPalavras.net, onde agora tenho uma coluna com o mesmo tema do TorcidaGanhaJogo.blogspot.com, confira: http://www.outraspalavras.net/2011/04/28/o-triste-futebol-da-era-ronaldo/


Em fevereiro de 2011, um dos maiores jogadores da história do futebol mundial anunciou a sua aposentadoria. Como jogador. Ronaldo Luis Nazário de Lima antes mesmo de pendurar as chuteiras já havia revelado ao mundo os seus planos assim que deixasse de atuar nos gramados.

O que já se via de Ronaldo àquela altura era uma estrela que havia se tornado um grande empresário do mundo da bola enquanto ainda era atuava em campo. Inaugurou no Brasil um modelo inédito de parceria atleta-clube, o qual o próprio classifica como “a saída para os clubes brasileiros”.

Ronaldo pode ser considerado um marco de uma nova era no futebol, na qual os jogadores se tornam mega-estrelas, tendo status semelhantes a grandes artistas do show business da Industria Cultural. Coincidiu a sua explosão como grande jogador, que encantava milhões de torcedores em todo o mundo, com a nova ordem do futebol, cada vez mais mercantilizado, gerido por Federações que buscavam a todo custo adaptar-se a um modelo de empresa tendo participações em lucros exorbitantes e abusando do seu caráter de “direito privado”.

Ao voltar para o Brasil, quase uma estrela decadente, já sem apresentar o belo futebol que o consagrou, Ronaldo encontrou o terreno perfeito para seus planos. Clubes endividados, um futebol pra lá de deficitário, dentro e fora das quatro linhas e uma Confederação corrupta, tratada como um feudo pelo seu mandatário. Realidade que não via, por exemplo, na Europa, onde não mais encontrava espaço como jogador e já não gozava do mesmo respeito de outrora.

Não foi a toa que antes de escolher o clube mais adequado aos seus interesses – leia-se, fechar o melhor contrato – Ronaldo vagou pelo Brasil correndo atrás de contatos. Esboçou sua entrada no Flamengo, clube de maior torcida do país, fazendo entrevistas emocionadas em rede nacional, aparecendo em jogos do time, vibrando junto com a torcida que exaltava como a “mais bonita do mundo”. O que se viu, no entanto, foi Ronaldo acertando com o Corinthians, clube rival, e também de grande torcida, que foi o que lhe garantiu as melhores condições de negócio.

Ronaldo chega então ao Corinthians como o grande momento do futebol brasileiro em 2009. Por mais que se desconfiasse das suas condições físicas e técnicas naquele momento, o jogador conseguiu atrair um inédito patrocínio de 18 milhões de reais, acordo firmado com Batavo.

Não demorou muito e os resultados, de certa forma inesperados, vieram dentro de campo com a conquista do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. É verdade que o Corinthians reforçou o elenco a ponto de garantir a independência do seu futebol diante do Fenômeno, mas as suas participações foram fundamentais também dentro do campo. Fora dele, os números se mostravam mais do que positivos: a arrecadação do Corinthians, entre patrocínios e publicidade, saltou de 24,7 milhões de reais em 2008 para 49 milhões em 2009.

O que ficava obscuro para a torcida do Corinthians, jornalistas e estudiosos do futebol em geral, era a participação real do jogador nesses lucros exorbitantes que a diretoria do clube, através do malicioso Andrés Sanchez, afirmava se concretizar. O que ficou em cheque e passou a ser o mote de muitos críticos da relação Ronaldo-Timão, foi a dificuldade em discernir quem dependia mais do outro.

A situação ficou insustentável a partir do começo de 2010. O Corinthians fecha um contrato bianual com a Hypermarcas no valor de 41 milhões de reais, sendo desse montante a assustadora fatia de 10 milhões para o jogador. Com a eliminação trágica do Timão na Taça Libertadores da América, torneio que ainda é o sonho de consumo da torcida alvi-negra, os valores se tornaram ainda mais questionáveis. Assim como o futebol de Ronaldo.

Ao longo de 2010, Ronaldo atuou com a camisa do Corinthians em apenas 19 ocasiões, incluindo o campeonato estadual, a próprio Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Marcou apenas 8 gols, a sua principal função. Em cálculos simples, o clube pagou mais de 850 mil reais por jogo disputado. Mesmo jogando tão pouco, o fato de ainda ser jogador do clube lhe garantia contratos anuais com a Nike no valor de 1 milhão de dólares; com a Claro em 1,5 milhões, mesmo valor firmado com a AmBev; a participação de 80% dos 8 milhões destinados aos calções e ombro da camisa pela Hypermarcas; e por fim, um contrato com a Vale em 3,5 milhões só para uso da sua imagem no mercado chinês.

Ao mesmo tempo em que ganhava tanto, chegando à cifra impressionante de 29,7 milhões ao longo dos 21 meses com a camisa do Timão, a torcida organizava diversos protestos contra o alto valor dos ingressos, outrora justificados pela presença da estrela que não mais aparecia em campo. Em determinados jogos, o torcedor comum era obrigado a desembolsar 80 reais, o dobro do valor cobrado na maioria dos estádios da Série A do Brasil. Um sinal de que os argumentos que sustentavam a estadia de Ronaldo no clube já não mais faziam efeito. Sem jogar, o clube virou um misto de spa, agência de negócios e vitrine para jogador.

Acabado o triste ano do Centenário sem títulos do Corinthians, o ano de 2011 se iniciava com a dúvida sobre a aposentadoria do Fenômeno. Ainda havia uma Libertadores a ser disputada, talvez a forma de fechar com chave-de-ouro a sua carreira. O resultado foi a vergonhosa eliminação na fase preliminar do torneio para o modesto Tolima, trazendo uma imensa crise ao clube.

Agora sim, Ronaldo podia dar fim à sua carreira de jogador, passando a explorar o futebol em proveito próprio fora das quatro linhas. Algo que já estava desenhado desde o início de 2009, pouco depois de estrear no Corinthians, como revelou ele próprio em entrevista à revista Istoé Dinheiro em Setembro de 2010. Segundo Ronaldo, já estava em andamento a formação de sua empresa, a 9INE, uma sociedade com Sergio Amado e Marcos Buaiz.

Apenas a título de informação, Sergio Amado é o representante maior do grupo WPP no Brasil, gigante grupo econômico de Martin Sorrel, que faturou, apenas no primeiro semestre de 2010, o montante de 6,8 bilhões de dólares. O segundo parceiro, Marcos Buaiz, é o jovem herdeiro do grupo capixaba Buaiz que tem investimentos em áreas diversas como lazer e Shoppings Centers.

Os planos de Ronaldo com a 9INE é assessorar a carreira de jovens jogadores que se mostram potenciais estrelas. Usa a sua história como exemplo: um talento raro com pouco preparo mental para esse mundo selvagem que é o do futebol-negócio. Com uma fortuna avaliada em 250 milhões de dólares, Ronaldo revelou a intenção de explorar o mercado de jogadores também, afirmando ser um “negócio atraente” no qual “você compra dez jogadores e, se um der certo, já paga os outros nove” (sic).

Não bastassem a sua carteira de ações preenchida com nomes como Petrobras e Vale, a participação de 8% na rede de academias A!BodyTech, sociedade que tem nomes como João Paulo Diniz, herdeiro de Abílio Diniz, e do ex-banqueiro Luiz Urquiza; e até a propriedade do prédio onde funciona a Faculdade Estácio de Sá, a qual lhe garante percentuais nas matriculas dos alunos; Ronaldo prevê a atuação da 9INE na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpiadas de 2016, a qual já foi convidado para ser “embaixador”.

Ronaldo deixa de jogar futebol hoje, mas deixa para trás o seu legado. O que se verá daqui para frente com maior freqüência no Brasil é o modelo de parceria atleta-clube. Não mais como um jogador que é subordinado ao clube, empregado, e por isso alguém que deve satisfações à torcida que carrega as cores a qual ele foi destinado a defender. Como já começa a se configurar com a vinda de Ronaldinho Gaúcho ao Flamengo no início de 2011, o que se enxerga é a divisão clara entre o jogador-trabalhador e o jogador-empresa, aquele municiado de uma estrutura maior, de um status construído pela sua qualidade, mas também por uma gama de empresários capazes de articular esse tipo de negócio.

Ronaldo é hoje um tipo ideal para muitos jogadores brasileiros. Não muito diferente da “vida real” que supostamente existe fora do mundo mágico do futebol, o que se sabe é que a realidade do jogador comum é extremamente cruel, delegando a pouquíssimos o status conquistado pelo Fenômeno. Dados recentes apontam que 96% dos profissionais do futebol no Brasil – que são aqueles que fazem com que a bola não pare de rolar – recebem entre dois e três salários mínimos. Apenas 3% dos jogadores que atuam no país recebem mais do que 10 mil reais mensais. Uma realidade que se reverbera pelo resto do mundo, sofrendo alterações de acordo com as especificidades locais de cada país.

Ao passo que vemos essa realidade nefasta com jovens jogadores, que como o próprio Ronaldo apontou, são descartados no caso de não vingar - já que ainda assim compensariam financeiramente, caracterizando muito claramente uma exploração infantil do trabalho – não param de surgir empresas que esticam os seus tentáculos sobre rentável mundo do futebol-negócio. Essas que agem de modo a deturpar o principal sentido do futebol, que é o próprio jogo em si, em prol do seu negócio atacam principalmente os torcedores.

O mundo do futebol não está descasado da realidade social na qual vivemos. A apropriação privada dos bens coletivos, como o futebol, entendido como parte da nossa cultura, traz os mesmos efeitos negativos que visualizamos quando outros aspectos da nossa vida são privatizados. Sejam eles bens naturais, sejam os direitos coletivos que outrora já tivemos: a elitização, a higienização, a esterilização, o acesso seletivo definido pelo aporte financeiro, são os problemas que os torcedores, verdadeiros construtores do futebol enfrentam hoje e precisarão enfrentar nos próximos anos.

*Irlan Simões é estudante de Comunicação Social e torcedor do Esporte Clube Vitória. Atua no Movimento Somos Mais Vitória, na Associação Nacional dos Torcedores, na Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social e acha que o futebol deve ser jogador pela ala esquerda.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

2014 mudará nosso futebol.


Arquibancadas em reforma, pátio completamente coberto por barro e todo dividido por grades, poças d'água gigantes e estacionamento a R$ 10,00 e em situação precária. É isso que um torcedor colorado tem que aturar em seu próprio estádio além é claro de pagar um ingresso de no mínimo R$30,00, se for sócio do clube, ou R$60,00, caso não seja, para ver o jogo. E qual o motivo? a Copa do Mundo do Brasil de 2014. Eu me pergunto se vale a pena para sediar quatro partidas de uma Copa. Muitos me dirão que não são apenas os jogos, dirão que o Inter vai se beneficiar da copa, ficando com um estádio totalmente reformulado, mais moderno e mais confortável. Com isso eu concordo, o Internacional com toda certeza tirará proveito, mas a questão é o torcedor, este que já vem sendo a muito tempo esquecido pelas entidades do futebol, na minha humilde opinião, não será beneficiado, pelo contrário.
O Beira Rio sediou nos ultimos anos 3 jogos de finais de Libertadores, uma final de Sulamericana duas finais de Recopa Sulamericana, uma final de Copa do Brasil, e vários outros jogos de grande importância, inclusive da Seleção Brasileira, sem que fossem necessárias tais obras. Sendo assim porque a Fifa tem tantas exigências para a copa do mundo? Será que o Beira Rio já não era bom o bastante? Já não havia provado ser um bom estádio com capacidade para 56 mil pessoas? Lógico que sim. Acontece que a FIFA prepara os estádios para magnatas, para pessoas que na verdade não vão ao campo para ver o jogo ou torcer, pessoas que muitas vezes nem gostam de futebol. A entidade que comanda o futebol mundial com suas exigências está preparando o Beira Rio para pessoas que não são os torcedores do Inter, afinal para qualquer um deles o Beira Rio já estava maravilhoso. Acho bem dificil me enganar quando penso que depois dessa copa do mundo a elitização do futebol fique mais evidente no país, pois alguém tem alguma dúvida que com os estádios modernizados, confortáveis e transformados em arenas multi-uso, a CBF não verá mau algum em cobrar mais caro de quem quiser usufruir de todas estas mordomias?
E o pior nem é isso, nesta ultima semana os dirigentes do clube debaterão a possibilidade de aceitar recursos de uma construtora em troca de 20 anos dividindo os lucros do estádio e das estalações em geral. O clube está dividido entre reformar o estádio com recursos próprios e correr o risco de não ser a sede da copa, ou aceitar a ajuda da tal construtora amiga da FIFA e se consolidar como uma das sedes do torneio mundial de seleções que acontecerá no Brasil. O torcedor do Inter, no meio disso tudo fica só observando e torcendo para que o clube e as entidades deste esporte, que ele sempre amou e sempre vai amar não o exclua dos estádios como já fez com tantos outros!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Unir o coro das torcidas: Fora Ricardo Teixeira!

Por Pedro Souto e Israel Dutra

Um dos melhores dramas de Shakespeare tem o nome de “Ricardo III” e conta a verídica história de ascensão e queda do rei mais impopular da história da Inglaterra. Às vésperas de sua derrota no campo de batalha, Ricardo III desdenha seu adversários, celebrando suas relações políticas “invencíveis”. Alguma semelhança com personagem homônimo no atual cenário do Brasil?

Passada as eleições temos pela frente uma pauta de grandes desafios para o Brasil e, principalmente, para o Rio de Janeiro nos próximos anos. A agenda esportiva de Copa do Mundo e Olimpíadas – esta no Brasil inteiro, mas com centro no Rio de Janeiro – já influi diretamente na política brasileira. O primeiro megaevento é a Copa do Mundo de 2014, e os rumos no qual caminham a organização precisam ser ao menos questionados.

A maior competição de futebol do planeta terra tem como lastro aos países-sede grandes elefantes brancos, que no Brasil não significam só obras sem nenhuma serventia, como, muitas vezes, grandes objetos de superfaturamento. Exemplo disso é o Estádio Olímpico João Havelange, construído para os Jogos Panamericanos de 2007, que teve seu orçamento estourado em mais de 500% e as obras no entorno sequer foram realizadas.

Para a Copa do Mundo a situação se vislumbra mais nebulosa ainda. No comando mundial a poderosa FIFA, denunciada recentemente por corrupção no ato de escolhas dos próximos países-sede. Em meio a estes esquemas internacionais, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol volta a ter seu nome ligado a graves denúncias de corrupção e esquemas envolvendo grandes montantes financeiros. Apadrinhado por João Havelange, a entrada de Ricardo Teixeira a frente da CBF, em remotos 1989, é apontada por Andrew Jenning – jornalista britânico e responsável por diversas denúncias contra a FIFA – como início de umboom de corrupção.

Não é novidade nenhuma o nome de Ricardo Teixeira em denúncias do tipo. A CPI do Futebol concluiu que Teixeira a frente da CBF recorrentemente aplicava o mesmo tipo de esquemas de propina observados na FIFA, com os presidentes de Federações nacionais. Além disso, é denunciado também por lavagem de dinheiro em diversas de suas empresas. Teixeira, ainda segundo a CPI, tem três empresas registradas em seu nome, com lucros astronômicos em paraísos fiscais. A última e mais recente denúncia, é que o mesmo como pessoa física pode embolsar todo o lucro da Copa de 2014.

O tempo urge, e cabe a nós elevarmos uma grande campanha FORA TEIXEIRA, nós torcedores e brasileiros não podemos assistir mais uma vez passivamente os saques aos cofres públicos, a redução de impostos à zero para grandes multinacionais em período de Copa do Mundo, o superfaturamento de elefantes brancos, tudo isso aliado ao grande descaso com o futebol brasileiro. É inadmissível que uma instituição esteja há 21 anos sob o comando da mesma figura, quase o mesmo período da ditadura militar brasileira, e que tal modelo seja reproduzido nas Federações e nos clubes pelo Brasil. Somente um forte movimento contra a cabeça do crime no futebol brasileiro pode ser capaz de alterar este triste cenário.

A campanha FORA TEIXEIRA deve unir todas as torcidas, utilizar ferramentas de mídia e redes sociais, atos criativos e marcantes nos estádios de futebol. A internet vai ser uma ferramenta fundamental para divulgação e ampliação de iniciativas nesse sentido.

O ano de 2011 será marcado pela batalha para colocar fim no reinado mais impopular do futebol brasileiro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NOTA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS TORCEDORES - NÚCELO SP

Nós da *Associação Nacional dos Torcedores - Núcleo SP* repudiamos a
marcação de jogos às 22h em dias de semana, com ingresso mínimo a R$ 20,00 e
em locais sem transporte público disponível em quantidade e qualidade. Esse
foi o caso do jogo de ontem entre Palmeiras x Universitaro de Sucre (BOL),
na Arena Barueri, com o agravo de que com a queda de energia no começo do
segundo tempo os torcedores, que já estavam em situação de completo
desrespeito, ficaram ainda mais prejudicados no trajeto de volta para casa.

Confira abaixo na íntegra nossa nota sobre os acontecimentos de ontem:
**
*Respeitem o torcedor!*
**
Na noite de ontem, 20 de outubro de 2010, o time do Palmeiras enfrentou os
bolivianos do Universitario de Sucre, jogo de volta das oitavas de final da
Copa Sul-Americana. O jogo, como todos os outros com horários definidos pela
televisão, começou às 22h - sobremesa da novela, quem trabalha no dia
seguinte que se vire com poucas horas de sono. Isso já seria um problema
caso a partida tivesse sido disputada no Parque Antarctica, casa do time
alviverde. Mas, graças à onda modernizante (ressaltando seu significado
elitizador), os Jardins Suspensos do Palestra Itália, que aliás deixarão de
ser suspensos com o rebaixamento do campo, assassinando assim a tradição e a
arquitetura característica do estádio, estão em reforma para dar lugar à
Arena Palestra, mais um estádio adaptado às "necessidades" da toda-poderosa
FIFA.

Com isso, ontem o time do Palmeiras jogou na também arena de Barueri, na
cidade de mesmo nome. Mas quem não está familiarizado com a geografia da
Grande São Paulo pode ainda não ter identificado um problema. Seguem, então,
alguns dados.

Barueri é um dos muitos municípios-satélite da enorme da cidade de São
Paulo. Distante 26km a oeste da capital, ficou mais conhecida no cenário
futebolístico nacional pela ascensão do clube-empresa que até o início deste
ano era sediado lá, o Grêmio-SP, às divisões principais do futebol paulista
e brasileiro. Porém, brigas entre prefeitura - dona da Arena - e
investidores - donos do clube-empresa - levaram o Grêmio-SP a Presidente
Prudente, no que foi um dos casos mais polêmicos do nosso futebol neste ano.

A Arena de Barueri, então, ficou "às moscas". O estádio moderno construído
junto a uma região pobre da cidade - onde há pontos, principalmente nos
setores menos caros, em que não se enxerga todo o campo, os famosos pontos
cegos - vem sendo utilizado desde então principalmente pelo Sport Club
Barueri, ex-Campinas Futebol Clube, outro clube-empresa que também mudou de
cidade e disputou esse ano a Série A3 do futebol paulista. Casa cheia na
Arena? Nem pensar. Nem quando os grandes de São Paulo, atraídos pela
possibilidade de renda maior que a do Pacaembu oferecida pela prefeitura de
Barueri, resolvem jogar lá.

Com o Palestra Itália fechado, foi o que o Palmeiras fez ontem. O torcedor
palmeirense da capital, então, se viu na situação de ter que ir até Barueri
às 22h para um jogo que acabaria no mínimo 0h - no mínimo, porque poderia
haver disputa de pênaltis. A Arena Barueri, pra piorar a vida do torcedor,
fica no limite oeste do município, perto da divisa com Jandira, e a
possibilidade de acesso via transporte público é praticamente uma só: o
trem, que pra quem vem de São Paulo, mesmo que da região oeste da cidade,
significa uma viagem de quase 1 hora e mais uma caminhada de 20 minutos até
o estádio. Ir de carro, portanto, é a melhor "opção" - ou seja, o torcedor
não-motorizado já está em enorme situação de desvantagem.

O cenário já é bastante absurdo, um desrespeito completo com o torcedor e um
retrato do refém que se tornou o futebol brasileiro em meio ao discurso
modernizador/elitizador do esporte. Jogo às 22h, fora da cidade-sede do time
mandante, ingresso a R$ 20,00 no mínimo (uma pequeníssima carga deles
apenas), sem transporte público garantido na volta - os trens param pouco
depois da meia-noite. Pra piorar a situação, aos 50 segundos do segundo
tempo, a energia do estádio caiu, paralisando a partida em mais de 30
minutos.

Se a pergunta "como os torcedores voltarão para casa?" já era muito difícil
de ser respondida por quem não tem carro, agora era impossível. Ou melhor,
agora a resposta era fácil. O Palmeiras, clube com milhões de torcedores
espalhados pelo país, venceu o Sucre por 3 a 1, com apenas 10.741 presentes
- a capacidade do estádio é de 35.000 pessoas e para ontem foram
disponibilizados 28.890 ingressos. O jogo terminou à 0h32. Grande parte dos
torcedores não voltou para casa - amanheceu em Barueri. A renda do jogo foi
de R$ 236.477,00, o que dá uma média de aproximadamente R$ 22,00 por
ingresso - assumindo-se que todos os torcedores pagaram ingresso, o que é
pouco provável; R$ 22,00 para ter de sair antes do fim do jogo para
conseguir chegar em casa ou ter que dormir na rua.

Diante disso tudo, situação que não é casual em nosso futebol, deixamos a
você, torcedor e cidadão, mesmo que não tenha o hábito de ir aos estádios, a
pergunta: até quando nos submeteremos a esse tipo de tratamento? Nossa
paixão vale tão pouco para sermos desrespeitados a esse ponto sem falar ou
fazer nada?

Nós da *Associação Nacional dos Torcedores* achamos que não. Já basta. Já
chega. Mas pra conseguirmos mudar essa realidade precisamos da força de
todos os torcedores, independentemente do clube para o qual torçam.

Portanto, se você também ficou indignado ao ler esse texto, venha nos
conhecer e participar. Entre em *www.torcedores.org* e junte-se a nós. No
domingo, no Pacaembu, já estaremos fazendo barulho antes e durante o derby
entre Corinthians x Palmeiras.

Porque somos muito mais que consumidores, somos torcedores. E exigimos
respeito.

*Associação Nacional dos Torcedores - núcleo São Paulo
**Torcedor não é palhaço!*


domingo, 17 de outubro de 2010

Torcedores, a hora é agora!

Como todos que acompanham este blog sabem muito bem, nós sempre propagamos a idéia e a importância do ativismo político. Tendo como principal bandeira do blog a defesa do futebol como cultura, sempre procuramos colocar o direito de SER TORCEDOR como um direito social.


E agora é a hora.


Está sendo fundada, e não para de crescer, a
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS TORCEDORES.

É o momento de botar o bloco, a banda, a barra, a torcida, na rua e lutar pelos nossos direitos de ter o futebol para o povo e pelo povo.

A luta contra o Futebol Moderno passará exatamente pela mobilização dos torcedores em defesa do futebol como cultura e em detrimento do futebol-mercado.


Então, entre aqui:
WWW.TORCEDORES.ORG

Filie-se, e proponha a criação de um núcleo na sua cidade. Faça parte, porque FIFA, CBF e seus parceiros já abusaram demais da nossa desmobilização.



NÃO AO FUTEBOL MODERNO!

domingo, 10 de outubro de 2010

“Erhalt der Fankultur” - Passeata geral dos Torcedores da Chucruteland

Nada na vida cai do céu ou é dado por um milagre divino. Tudo é produto de luta e trabalho, nenhum direito é garantido sem esforço ou suor. Nenhuma garantia é conquistada sem confrontos e lutas. Isso é um fato, seja na História ou nas Arquibancadas...

Existem várias formas de Luta, desde de um sim
ples abaixo-assinado até a tomada direta do céu em assalto. Tudo é válido no acúmulo de terreno e consciência na Luta contra o Futebol Moderno e suas mazelas.

As passeatas populares são uma dessas formas diretas de demonstração de uma insatisfação geral. E pode (e deve) ser usada no Futebol. Ontem milhares torcedores de mais 50 clubes de toda a Chucruteland se reuniram em Berlin para exigirem mais direitos e liberdades nas arquibancadas.


O tema da passeata em Berlin foi “
Erhalt der Fankultur” (Pela manutenção da Cultura de Torcida) e entre as reivindicações estavam vários sintomas e abortos característicos do Futebol Moderno.

Entres as demandas estavam;


- Pelo fim das restrições nas arquibancadas, pelo fim dos horários dos jogos determinados pela TV, Pelo fim da comercialização do Futebol, Pelo fim dos banimentos de torcedores dos estádios, pelo fim da Brutalidade Policial e pela manutenção da regra do 50%+1 no futebol alemão.


Cada torcida teve seu bloco na passeata para evitar que as rivalidades interferissem na luta comum dos torcedores. E cada bloco poderia levar suas cores,
bandeiras e cantos livremente.

Um destaque engraçado para o grupo “Schickeria München” do Bayern de Munique que trouxe um Darth Vader inflável gigante com as iniciais USK. Para quem não sabe a USK (Unterstützungskommando) é a tropa de choque da Bavária e uma das recordistas de casos de Brutalidade Policial contra torcedores.

Esse dia foi uma prova que torcedores dos mais diversos clubes podem dizer um basta a tudo que é imposto pela FIFA e suas demais máfias. Essa passeata em Berlin foi uma verdadeira aula na luta contra o Futebol Moderno.

Mais Fotos da Passeata geral >> Aqui



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Por mais emoção nos estadios
















Um estádio lotado, num barulho ensurdecedor, jogadores perfilados esperando a hora de pisar no gramado, todas as atenções voltadas para a entrada da equipe da casa no campo de jogo. E a equipe entra, a festa acontece nas arquibancadas, sinalizadores, fumaça, papel picado, balões, bandeiras, faixas, bobinas, mosaicos e fogos de artificio, tudo isso somado à grande emoção e sentimento. É o futebol, ou pelo menos o que sempre imaginamos que seja este esporte. Não importa o que digam os cartolas e a midia, não há nenhum argumento que consiga tirar de nossas cabeças que isso é o futebol e que ele só existe dessa forma porque existem os apaixonados, a festa, os torcedores.
Proibir sinalizadores, cantos ofensivos, materiais festivos é de uma pura indecência e falta de consideração ao ser humano, é negar o passado, a cultura e a história de um povo, é simplesmente dizer a um homem que batalha todos os dias pelo seu sustento que no momento que ele achou que podia extravasar a sua emoção ele deve se aquietar, deve agir conforme um código de conduta além daquele que ele recebeu como educação. É fazer pior, é tirar este homem das arquibancadas, substituindo-o por outro mais bem vestido, mais comodista, mais refinado que está ali sem emoção, quase que por obrigação, pois já que pagou ficará ali até que se apite aos 90 minutos.
Porque proibir algo que se fazia tão inofensivo? porque? Por causa da midia, a midia paga e a midia quer cobrar, será que alguém algum dia ligou pra Globo para reclamar que não conseguia ver o jogo por conta dos sinalizadores? Acho que não, mas então por que tirar o direito da torcida fazer festa? porque? não sabemos e provavelmente continuaremos sem resposta, pois uma medida arbitrária não tem justificativa, simplesmente é imposta.
Paremos para refletir, pensar sobre o que nos acontece atualmente, sempre se lutou tanto por liberdade de expressão, e o que se vê é um ataque ao espetáculo cultural mais amado no mundo, é uma afronta àqueles que fazem do futebol sua maneira de ser notado, de fazer diferença, de se expressar, Não à Ditadura no Futebol.